Cordel e cinema: Sylvie Debs e Gustavo Dourado no FestBrasília 2005
 
 
Quinta, 23 / 12 / 2005
:: Cordel e cinema
A jornalista e pesquisadora francesa Sylvie Debs, professora de cinema e literatura da Universidade de Estrasburgo (França), descobriu a obra de cordel, do escritor Gustavo Dourado pela internet e o entrevistou durante sua passagem por Brasília, por ocasião do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Autora de livros sobre cinema e cultura brasileira, Sylvie recebeu poemas e material significativo de Gustavo Dourado, que servirá de fonte para a sua pesquisa sobre a influência do cordel no cinema. Dourado, na foto com Sylvie, é autor do cordel Cinema Novo, que ressalta a estética de Glauber Rocha. E das Gilbertianas, que está no meu site.
Cordel e Cinema: Sylvie Debs

Horário: 09:00h às 12:00h 

Coordenadora: Min Catarina Farias de Oliveira (UECE/FECLESC) 
 

Horário: 09:00h às 12:00h 

Coordenadora: Cláudia Régia (UECE/FECLESC) 
 

A arte de educar com poesia

Sala de Imprensa

Evento já realizado.

A arte de educar com poesia

A arte de educar com poesia

( type=text/javascript minmax_bound="true">fcDataDDMMYYYY('12/14/2005 2:12:00 PM') 14/12/2005)

Os amantes das palavras e da poesia já têm programa para a próxima sexta-feira, 16, às 19h. O local do encontro é no restaurante Carpe Diem e o motivo é o lançamento de Querido Mundo, coletânea de poesias de autoria da arte-educadora Lurdiana Araújo.
 
"O que me inquieta são os caminhos", revela a autora na apresentação do livro. Inquietação traduzida em ritmos, cenas e leituras dos gestos e paisagens humanas.
 
Lurdiana brinca com as palavras, faz jogos cênicos com os pensamentos do leitor. É seu desafio. Provocar, levar a tal da inquietude a todos. Leitores, alunos, humanos. Falando dela, fala do mundo. Coisas da poesia...

Em sala de aula não é diferente. Mário Quintana, João Cabral de Mello Neto, Drummond, são companheiros da arte de educar com poesia. Leituras, interpretações e muita criatividade animam as aulas da professora-poeta da Escola Parque 210 Sul.

Um misto de ensinar e aprender com os pequenos; "queria que todos os seres sobre a terra / tivessem a inspiração de uma criança", diz o poema O Mundo que eu queria.

Quem não queria?...(CT)


Serviço:
Lançamento do livro Querido Mundo
Dia 16/12/05 às 19h
Local: Restaurante Carpe Diem (SCLS 104, Bl. D, Loja 01)
Informações: 3345-6786 ou 9649-1046

Jornal do Brasil: Gilberto Amaral

JB Online - Imprudência mortal
... profundamente um cordel de autoria do poeta e escritor Gustavo Dourado Amargedon.
... gilberto@gilbertoamaral.com.br · Home > Colunas > Gilberto Amaral ...
jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/ amaral/2004/08/04/jorcolama20040804002.html 

JB Online - Agenda cheia
O escritor Gustavo Dourado concluiu pesquisa em cordel sobre a vida ea obra da
... gilberto@gilbertoamaral.com.br · Home > Colunas > Gilberto Amaral ...
jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/ amaral/2004/07/18/jorcolama20040718001.html 

JB Online - Poluição visual
... Gol de letra. Ganha destaque no World Poetry Day, o portal mundial de poesia da
Unesco, editado a partir de Paris, o poeta brasiliense Gustavo Dourado. ...
jbonline.terra.com.br/papel/colunas/ amaral/2004/08/29/jorcolama20040829001.html

amaral - Razões do fracasso - 25/12/2002
Será no Espaço Cultural da LBV, com patrocínio do Sindicato dos Escritores do
Distrito Federal, presidido por Gustavo Dourado Amargedom. ...
jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/ amaral/2002/12/24/jorcolama20021224002.html

JB Online - Vergonha pública
O escritor e poeta Gustavo Dourado Amargedon, preparando mais cordel sobre figuras
... gilberto@gilbertoamaral.com.br · Home > Colunas > Gilberto Amaral ...
jbonline.terra.com.br/papel/colunas/ amaral/2005/10/15/jorcolama20051015001.html

JB Online - Rio das Pedras
Gustavo Dourado, poeta E repentista, iniciou No Sesc da 504 Sul uma série de
apresentações em parceria com o músico Anand Rao. os dois pretendem mostrar um ...
jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/ amaral/2005/07/04/jorcolama20050704001.html

CORDEL - LEITORES E OUVINTES

CORDEL - LEITORES E OUVINTES

Texto do livro
 

APRESENTAÇÃO

O pesquisador que, na área da história da leitura, busca encontrar o leitor, não o autor ou o texto, deve transpor consideráveis obstáculos, porque o tempo esconde e dificulta muito mais a recuperação daquele que destes. Ana Maria Galvão, na pesquisa que deu origem à sua tese de Doutorado, em que capta e analisa leitores de literatura de cordel nas décadas de 30, 40 e 50 do século XX, em Pernambuco, agora apresentada neste livro, atreveu-se a enfrentar esses obstáculos, e venceu-os com admirável sucesso. Tendo tido o privilégio de ser a orientadora de Ana Maria em seu processo de doutoramento, gostaria de apontar alguns dos obstáculos que a desafiaram e como ela soube responder a eles com admirável brilhantismo.

Um primeiro obstáculo que é preciso enfrentar, em pesquisas históricas que buscam o leitor, é a dificuldade de captar, em momentos temporalmente distantes do pesquisador, as formas de acesso ao impresso, os usos que eram feitos dele, os contextos e as situações de leitura, os modos de ler, as reações aos textos. Obstáculo que chega a levar alguns historiadores da leitura a julgar que, se é possível, ainda que difícil, construir uma história externa da leitura, pela identificação de quem lia e de o quê se lia, em épocas passadas, é quase impossível construir uma história interna da leitura, porque isso supõe a recuperação de processos, a apreensão de como se lia. Robert Darnton, em sua pesquisa sobre os best-sellers proibidos, na França do século XVII, declara que o problema que enfrentara não tinha sido identificar os livros ou os autores, mas a leitura, ou os modos de ler: "A dificuldade está na leitura em si. Mal percebemos o que acontece diante de nós, quanto mais o que ocorreu dois séculos atrás, quando os leitores habitavam um universo mental diferente." Embora Ana Maria não tenha ido tão longe no passado, pois foi em busca de um leitor não de dois séculos atrás, mas de cinqüenta, sessenta, setenta anos atrás, nem por isso foi menor o obstáculo que enfrentou: afinal, dois séculos atrás ou setenta anos atrás são sempre tempos e universos mentais que o passado esconde. Tempos e universos que Ana Maria soube muito bem recuperar, em leitores de cordel dos anos 30, 40, 50 do século passado, e soube tornar presentes aos leitores que hoje têm este livro nas mãos.

Um segundo obstáculo que Ana Maria se dispôs a enfrentar, e venceu com sucesso, foi o desafio de buscar não um leitor "convencional", aquele pertencente ao universo letrado, o leitor dos impressos socialmente valorizados: o leitor de livros, de jornais, de revistas. Não; Ana Maria foi buscar o leitor de um impresso, o cordel, considerado pelas camadas letradas, na época pesquisada, quase como efêmero e até descartável, e de circulação restrita a grupos sociais pouco letrados: a analfabetos ou semi-alfabetizados, a homens, mulheres e crianças pertencentes a frações das camadas populares. Flagrando minuciosamente indícios aqui e ali, por caminhos vários, a pesquisadora vai descobrindo as formas de acesso desses leitores à literatura de cordel, as situações em que com ela interagiam, o papel que atribuíam à sua leitura, os significados que construíam dos textos, dando assim uma contribuição fundamental a uma história da leitura das camadas populares no Brasil.

Um terceiro obstáculo que Ana Maria enfrentou e venceu magnificamente, talvez o mais importante, porque diz respeito a uma característica essencial do leitor e da literatura que tomou como objeto de estudo, foi superar a dificuldade de captar um modo de ler que é também e simultaneamente um modo de ouvir, ou, vice-versa, captar um modo de ouvir que é também e simultaneamente um modo de ler. Tomando como objeto de sua pesquisa uma literatura destinada à audição, tanto quanto, ou talvez mais que, à leitura, Ana Maria estuda um leitor-ouvinte, ou um ouvinte-leitor: indivíduos analfabetos ou semi-alfabetizados que, entretanto, "lêem", e até aprendem a ler por meio do cordel; indivíduos que, negando a característica de não letrados que lhes era atribuída, envolvem-se em práticas de leitura; indivíduos que praticam uma leitura mediada pela oralidade, ou uma oralidade mediada pela escrita. A pesquisa consegue, assim, vencer o difícil desafio, ainda tão raramente enfrentado entre nós, de caracterizar esse tênue limiar entre oralidade e escrita, e desmistificar a falsa dicotomia oralidade-escrita.

Não falo de outros obstáculos e desafios que Ana Maria enfrentou, todos vencidos com extraordinárias habilidades de pesquisadora, grande acuidade e sensibilidade. O resultado é esta contribuição original e fundamental não só para os estudos sobre a literatura de cordel, em que ela inova e renova, mas também para a história da leitura e do leitor – uma pesquisa inegavelmente paradigmática de como se pode, a despeito dos obstáculos e desafios que se interpõem entre o pesquisador e a apreensão de processos que o tempo encobre, reconstruir, sem que isso signifique reconstituir, leituras do passado, modos de ler, formas de acesso ao escrito e de atribuição de sentido a textos.

 

Magda Soares

 

 “... quando imagino os meus romances, tomo sempre como roteiro o modo de orientação, o dizer as coisas como elas surgem na memória, com o jeito e as maneiras simples dos cegos poetas”.

José Lins do Rego

"A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos “folhetos” do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus “cantares”, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados". (P. 13).

Ariano Suassuna

 ”Da cultura brasileira já houve quem a julgasse ou a quisesse unitária, coesa, cabalmente definida por esta ou aquela qualidade mestra. E há também quem pretenda extrair dessa hipotética unidade a expressão de uma identidade nacional.

Ocorre, porém, que não existe uma cultura brasileira homogênea, matriz dos nossos comportamentos e dos nossos discursos. Ao contrário: a admissão do seu caráter plural é um passo decisivo para compreendê-la como um efeito de sentido, resultado de um processo de múltiplas interações no tempo e no espaço. A cultura das classes populares, por exemplo, encontra-se em certas situações, com a cultura de massa; esta, com a cultura erudita; e vice-versa.O plural sustém-se e impõe-se de pleno direito, mas aquela impressão de caos e nonsense ficará por conta do estilo de show alucinante montado por essa gigantesca fábrica de sombras e revérberos chamada civilização de massa.
É preciso olhar tudo de novo, devagar”.

Alfredo Bosi

Professor da USP. 

“No Nordeste, por condições sociais e culturais peculiares, foi possível o surgimento da literatura de cordel, de maneira como se tornou hoje em dia característica da própria fisionomia cultural da região. Fatores de formação social contribuíram para isso; a organização da sociedade patriarcal, o surgimento de manifestações messiânicas, aparecimento de bandos de cangaceiros ou bandidos, as secas periódicas provocando desequilíbrios econômicos e sociais, as lutas de família deram oportunidade, entre outros fatores, para que se verificasse o surgimento de grupos de cantadores como instrumento do pensamento coletivo, das manifestações da memória popular”.

Manoel Diegues Júnior

Cantadores do Nordeste: Manuel Bandeira

Cantadores do Nordeste

Manuel Bandeira

Anteontem, minha gente,
Fui juiz numa função
De violeiros do Nordeste
Cantando em competição,

Ora puxando uma sextilha
Ou uma oitava em quadrão,
Quer a rima fosse em inha,
Quer a rima fosse em ão,
Caíam rimas do céu
Saltavam rimas do chão!
Tudo muito bem medido
No galope do sertão.

Saí dali convencido.
Que não sou poeta, não;
Pois poeta é quem inventa
Em boa improvisação

Como faz Dimas Batista
Ou Otacílio seu irmão,
Como faz qualquer violeiro
Bom cantador do Sertão
A todos os quais, humilde,
Mando a minha saudação!

Leandro, o poeta: Carlos Drummond de Andrade

Jornal do Brasil, 9 de setembro de 1976

 Leandro, o poeta

 Carlos Drummond de Andrade

 ”Em l913, certamente mal informados, 39 escritores, num total de l73, elegeram por maioria relativa Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros. Atribuo o resultado a má informação porque o título, a ser concedido, só podia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista Fon-Fon, mas vastamente popular no Norte do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de Ouvir Estrelas. E aqui desfaço a perplexidade que algum leitor não familiarizado com o assunto estará sentindo ao ver defrontados os nomes de  Olavo Bilac e Leandro Gomes de Barros. Um é poeta erudito, produto de cultura urbana e burguesia média; o outro, planta sertaneja vicejando à margem do cangaço , da seca e da pobreza.Aquele tinha livros admirados nas rodas sociais, e os salões o recebiam com flores. Este espalhava seus versos em folhetos de cordel, de papel ordinário, com xilogravuras toscas, vendidos nas feiras a um público de alpercatas ou de pé no chão. E conclui a propósito de Leandro: Não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro”.

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