Cordel da Família Dourado(P1)

Cordel da Família Dourado http://www.planetaliteratura.com/index.php?view=detalhesartigo&codigo=22099
Gustavo Dourado
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Deus me deu inspiração
Para no tempo voltar
À Bahia e Portugal
Do Sertão ao grande Mar
A gênese dos Dourados:
Em versos vou relatar...


Família que vem do ouro
Das plagas de Portugal
Do Porto e Rio Douro
Do Celta é original...
No Brasil fez bela História
E no concerto universal...


É família muito antiga
Tem genética lusitana
Originou-se dos celtas
Tem a vertente hispana
A sua maior grandeza:
É na boa terra baiana...


Dourados de Antigamente:
Estevão, Joana, Miguel
Fernão, Lopo e Mariana
Pedro, Francisco, Isabel
Ruy Dourado e Mateus:
E Maria de Samiguel...


Mateus Nunes Dourado
Navegador...Garimpeiro
Veio da terra de Camões
Para o torrão brasileiro
Aportou em Salvador:
Vindo lá do estrangeiro...


De Salvador da Bahia
Foi morar em Jacobina
Garimpou pelo Sertão
Encontrou ouro na mina
Tornou-se rico fazendeiro:
Na Chapada Diamantina...


Encantou-se com Joana:
Da Família Silva Lemos
Nasceu-lhe o filho José
Isto é o que sabemos
José, pai de João José:
Dourado sempre seremos...


Sou Dourado da Bahia
Um Dourado recifense
Dourado lá do Rochedo
Sou Dourado ireceense
Dourado de Ibititá:
Dourado brasiliense...


Dourados de Irecê:
Nossa Terra do Feijão
Dourado de Ibititá:
Terra do meu coração
Em Recife dos Cardosos:
Deus me deu a criação...


Ulisses e Edelzuíta:
Dourados que tem nobreza
Trouxeram-me a este plano
Com amor, paz e clareza
Deram-me arte e poesia:
Pra cantar a Natureza...


A família é numerosa
E tem grandiosidade
Convivemos todos bem
No cultivo da verdade
Sempre em busca do amor:
De paz e fraternidade...


Fátima, Gleide e Gustavo:
Gostam de genealogia
Uilson, Toth, Ulisses:
Navegam na Poesia
Dourados do universo:
São genes da alquimia...


Nandes, Vane e Valdo
Edenivaldo e Zeni
Dourados na irmandade
Ouço o canto do coqui
Dourado gosta de cuscuz:
Feijão, umbú e buriti...


Dourado lá do Rochedo
Canarana e Lapão
Em Recife dos Cardosos
Ibititá...Lagedão...
João Dourado e América
Dourada em meu coração...


Dourados em todo o Mundo:
No Brasil, em Portugal
Europa, França, Bahia:
Amazonas, Pantanal...
Rio, Minas e São Paulo
E no Distrito Federal...


Dourado se misturou
Com Silva e Oliveira
Cardoso, Nunes e Castro
Marques, Matos e Pereira
Pimenta, Macedo, Bastos
Barreto, Sousa e Ferreira...


Dourado se integrou
Com Vilela e Carvalho
Andrade, Fernandes, Pires,
Magalhães, Alves, Barbalho
Tavares, Durães, Martins
Soares, Lima e Ramalho...


Dirceu, Joabe, Everaldo
Orivaldo e Zeferino
Erenito e Ernandes
Mizael e Nobelino
Em Recife dos Cardosos
E no Recife do Lino...


Adolfo, Marcos e Joel
Davi, Moisés, Salomão
Clemente, Martiniano
Ester, Jó e Abraão
Genésio e Hildebrando
Matias e Damião...


Wellington e Israel
Edésio e Ernestino
Odilon, Eliezer
Elvira e Severino
Onélia e Maridete
Auzier, Emerentino...


Família Dourado é 10:
É família de primeira
É das maiores famílias
Desta terra brasileira
Família universal:
Luminosa...Candeeira...


Ulisses Marques Dourado:
Meu sagrado genitor
Homem honesto e íntegro
De destacado valor
Em Recife dos Cardosos:
Cultivou paz e amor...


Edelzuíta de Castro Dourado
Minha mãe iluminada
Criativa, talentosa...
Trabalhadora honrada
Foi destaque na Família:
Fez gloriosa jornada...


Bento da Silva Dourado
Maria Cardoso de Oliveira
Rita e Antônio Lourenço
Gerendência de primeira
Belarmina e João:
Exupéria...Rezadeira...


Fazenda Pau de Pilão:
É em Tapiramutá
De lá veio vovô João
Para o sertão de Ibititá
Da boa Fazenda Porcos:
Na "barriguda" de Iaiá...


João de Oliveira Cardoso
Belarmina Seixas Dourado
Geraram José, Ana, Perolina
Tio Otávio de bom grado
Otaviano, Júlio e Maria...
De Exupéria...A Poesia:
Flui martelo agalopado...


Exupéria e Francisco
Deram boa geração
Tio Josias e Ulisses
Um bom pai e bom irmão
Francisca, Amália e Jonas:
Um trio de bom coração...


Alfredo Marques Dourado
Com Maria Amélia se casou
Nasceu Ana e Ormezina
Francisco se destacou
Ana Rita e Durvalina:
A família se consagrou...


Foi feliz a união:
Nasceu José e Durval
Maria Amélia surgiu
Em um tempo magistral
Não esqueço Daniel:
Nosso gen é genial...


Exupério e Ormezina:
Dalva, Lurdes, Edgar
Abnael e Abderman
Abner sempre a amar
Relembro Abnaias
No Tanque Velho a sonhar...


Augusto e Dona Meire
O legado protestante
Semente presbiteriana
Uma igreja triunfante
Os "Augustos" são de Deus:
Testemunhas, sempre avante...


Élis, Afonso, Enderlaite
Abner, Daniel, Odemar
Augusto, Zeri, Hamilton
Benjamin bom no beijar
Todos filhos excelentes:
São doutores para orar...


Augusto de Oliveira Cardoso
Foi um crente pioneiro
Em Recife dos Cardosos
Evangelista primeiro
Com Meire Pereira Rios:
No caminho verdadeiro...


Élis e tia Francisca:
Abdenalva e Leni
Daniel e Miriam
Augusto e Irani
Eudes e Iraíldes:
Gente boa é essa aí...


Sou Dourado em Brasília:
A Capital Federal
Aqui vivo com Maria
E faço meu carnaval
Yon, Gustavo e Elias:
São bons filhos sem igual...

Cordel para Ibititá: A Cidade das Pedras...
Cordel para Ibititá: A Cidade das Pedras...
Gustavo Dourado

Ibititá é Rochedo:
Sempre em evolução
É a Cidade das Pedras
Que fulgura no Sertão
Uma dádiva de Deus:
Terra do meu coração...

Rochedo de Ibititá
Da mamona:capital
Pedra de Arrecife
Lagedo fenomenal
Na Lagoa de Anísio:
Tomei banho matinal...

Na farmácia de Urbano
O remédio para a cura
Na feira de Ibititá:
Cuscuz, doce e rapadura
Terra do meu pai Ulisses
Que me transmitiu ternura...

Clemente(Padre) e Benigno
Juntos com Martiniano
E José Rufino Dourado
Vieram em primeiro plano
Manoel José de Oliveira:
Foi Paca se não me engano...

Vieram de Macaúbas
Para da terra apossar
Fazenda Lagoa Grande
Ótimo solo pra lavrar
Catu, Padre e o Paca:
A semente a germinar...

Fazenda Rochedo
Foi o nome inicial
Povoado de Rochedo
Foi nome seqüencial
A vila tornou-se cidade:
Ibititá sem igual...

Rochedo de Ibititá
Terra de Martiniano
De Clemente e de Bento
De Ulisses e Urbano
De Josias e Eufrásio
Benigno e Geminiano...

Clemente Marques Dourado
Por Padre era conhecido
Casou-se com Maria Amélia
O fruto foi concebido
Vieram Ápio e Alfredo:
Desse casal destemido...

Rochedo de Reginaldo
Sofia, Gustavo, Durval
Sebastião e Vitória
Antônio e Derival
De Nena e Ana Amélia:
Ibititá magistral...

Reginaldo Cardoso Dourado
Fixou-se no Rochedo
Com Sofia Miranda Machado
Romanceou com enredo
Quatro filhos e uma filha:
Uma família sem medo...

Reginaldo e Sofia
Geraram Sebastião
Durval, Gustavo e Antônio
Vitória é flor do Sertão
Casou-se com tio Anísio:
Dourado em primeira mão...

Gustavo te deu a base
Antônio Cardoso criou
Henrique, Gemi, Durval:
Sebastião te amou
Eufrásio, Arli, Abnaias:
Chiquinho te abençoou...

Gustavo Cardoso Dourado:
Foi o grande precursor
Da antiga Vila Rochedo
Ele foi um benfeitor
Deu estrutura ao lugar:
Foi bom empreendedor...

Sebastião e Ernestina:
Da sagrada união
Nasceu o menino Antônio
Cardoso de coração
Fundador de Ibititá:
Um Rochedo do Sertão...

Sebastião Cardoso Dourado
Casou-se com Ernestina
Antônio Cardoso Dourado
Tem a verve cristalina
Fez do Rochedo...Ibititá :
Urbi da Diamantina...

17/10/1961:
Rochedo vira Município
Lei de nº 1518:
À cidade deu início
Antônio Cardoso Dourado:
Foi líder desde o princípio...

Antônio Cardoso Dourado
Comerciante, agricultor
Criador de Ibititá
Prefeito e vereador
Estruturou a cidade:
Trabalhou com muito amor...

Nos bons tempos de Quelé:
Artur e Manoel Quirino
Catu, Padre e Alfredo
Foi-se o tempo de menino
No açude do Rochedo:
Vi o sol diamantino...

Henrique, Ângelo, Alberto
Ana Flora e Hermano
Altina e Maria Amélia
Carlota e Otaviano
Hermina. Altina e Constança:
Prole de Martiniano...

Lauro, César, Maria, Osvaldo
Domingos Urquiza , Durvalina
Família Marques Dourado
À história se destina
Progrediram Ibititá
Na Chapada Diamantina...

Chiquinho na prefeitura:
Permanente construção
Concha acústica na praça
Pólo de confecção...
Fez da Cidade das Pedras:
Estrela da Região...

Rochedo de Ibititá
De Recife e Canoão
Feira Nova, Pedra Lisa
Boa Vista e Lagedão
Alto da Cruz reluzente:
Patos e Umbuzeirão...

Dourado, Cardoso, Silva
Marques, Macedo, Oliveira
Machado, Vilela, Bastos
Pimenta, Gomes, Pereira
Castro, Seixas e Martins:
Sem esquecer a Ferreira...

Matos, Santos e Barreto,
Miranda, Gama, Macedo
Alencar, Durães e Alves
Souza, Moitinho, Azevedo
Alcântara, Moura e Lopes:
São família do Rochedo...

Batista, Bento, Rodrigues,
Teles, Ramos e Ribeiro,
Aurora, Gama e Cruz,
Silveira, Hayne, Carneiro
Bezerra, Sousa, Batista:
Sem esquecer de Cordeiro...

Benigno, Onélia e Baía
Nena, Quininha e Vitória
Arlinda,Tui e Ninalva
Neusa, Cléo, Adi e Glória
Ester, Leonor, Santa, Elzi:
Ibititá tem História...

Erasmo, Adilson, Dinálio
Tom, Laélio, Lourival
Vespasiano e Osfande
Edésio, Raul, Vital
Sebastião, Etelvina
Ernestina e Dorival...

Jovelina, Zélia, Orlan
Jair, Rogério, Edvaldo
Érita, Valdete e Zélia
Lia, Deda e Deraldo
Bolivar e Canutinho
Didi, Nilton e Everaldo...

Louro e Sinobelino
Ananias e Arnaldo
Emerentino e Astério
Zé Pimenta e Reinaldo
Sidinei e Fransciquinho
Zé Anísio e Carivaldo...

Missivaldo e Ozias
Jozias, Lília, Auzier
Délia, Maura e Mário
Maridete, Ediezer
Gilberto e Valdevi
Uilson e Eliezer...

Lauro Adolfo e Alberto
Magno e Odair José
Arilson, Dé e Ernandes
Vitória, Anísio e Quelé
Abílio, Chico e Daniel:
E nosso Augusto Lelé...

Doda, Peco e Vadim
Adelmo, Lurdes, Jovinha
Messias, Julina, Djalma
Délia, Érita e Dizinha
Ana Flora e Marlene:
Sem esquecer de Joaninha...

Guliherme, James, Hildebrando
Arquimedes, Ademar
Edmilson e Gervásio
Eudaldo, Véi, Denizar
Dário, Osvaldo e Tiago:
Chico bom parlamentar...

Vanderlino e Arturzinho
Mainá, Bemba, Irineu
Trazíbulo, Té, Isaías
Graziela, Ti, Alfeu
Licinho e Florisvaldo
Erenito, Jaci, Dirceu...

Josias e Daniel
Jonas e Napoleão
Francisco e Nicolino
Tolentino e João
Válter , Carlos e Augusto:
Osvaldinho e Magão...

Raul Vilela e Astério:
Ageu, Edésio e Vital
Anísio, Vitória e Lia
Messias e Lourival
Dalila, Dé, Altair
Rosalvo sempre legal...

Saudade do umbuzeiro
De Zupera e Sinhá
Perolina e Mariquinha
De Tiquinha e Naná
Das lagoas e barreiros:
Barrigudinha e Iaiá...

Sou catingueiro da gema
Nasci no Ser...Tao baiano
Recife de Ibititá:
De Ulisses, não me engano...
Na Chapada Diamantina:
No Rochedo de Urbano...

Sou Gustavo Dourado
Trovador de Ibititá
Já cantei na Palestina
E até em Shambalá
No Nepal... na Conchinchina:
E pra lá de Bagdá...

Ulisses e Edelzuíta:
Dourados que têm nobreza
Trouxeram-me a este plano
Com amor, paz e clareza
Deram-me arte e poesia:
Pra cantar a Natureza...

Rua, Gelo e Riacho
Pedras Lisas: Canoão
Em Recife dos Cardosos
Fiz minha transmutação
Rochedo de Ibititá:
Princesinha do Sertão...

Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br
Entrevista do poeta e cordelista Gustavo Dourado à jornalista Michelle Moreira.
Entrevista do poeta e cordelista Gustavo Dourado à jornalista Michelle Moreira.

1.O uso da internet não destoa do sentido da Literatura de Cordel?

GD: Não. A literatura de cordel adaptou-se perfeitamente à Internet. Ganhou um novo ritmo e mais autonomia e independência.
Com a Internet, o cordel conquistou uma divulgação mais ampla e alcançou um público mais abrangente, principalmente estudantes e jovens leitores. Antes o cordel era tido como uma coisa meio folclórica, hoje ele se tornou uma escola e base para centenas de monografias, teses de mestrado e doutorado e ponto de apoio para os diversos segmentos da criação artística como a música, o teatro, as artes plásticas, o cinema e outras linguagens artísticas.

2. Muito usada no passado como fonte de informação para um público que tinha acesso escasso a mesma, ou o que aconteceu foi uma adaptação do Cordel ao aparato digital na tentativa de difundir o mesmo também para as classes mais ricas, ao mesmo tempo que contribui para a preservação dos folhetos?

GD: A poesia de cordel ganhou com o advento da Internet e adaptou-se à linguagem digital e virtual. O mesmo ocorreu com o jornalismo impresso e com as antigas formas editoriais que gradativamente renovam-se e ganham nova feição como os textos eletrônicos e livros virtuais. Vai chegar um tempo, que urge, que qualquer leitor poderá fazer o seu próprio jornal, revista ou livro eletrônico. As matrizes já estão sendo formatadas e as sementes já foram plantadas pela Microsoft, Google, Yahoo e outras empresas eletrônicas. Hoje nós temos os folhetos virtuais e os opúsculos antigos são escaneados e digitalizados para as bibliotecas eletrônicas e para os bancos de dados digitais. Daqui de Brasília, o meu trabalho poético de cordel virtual já foi objeto de estudo em vários países da Europa, Ásia, África, América Latina, Austrália e até nos Estados Unidos. Sem a Internet seria praticamente impossível. As antigas editoras são muito conservadoras e seletivas e não investem em poesia, a não ser nos cânones já estabelecidos. A mídia convencional é mera reprodutora comercial e publicitária dessa forma arcaica e ultrapassada de divulgação cultural. Se eles não se adaptarem ao novo processo digital logo logo serão tombadas como peças de museu. Boa parte delas já perceberam o vacilo e aos poucos mergulham nas águas do universo digieletrônico. Para o cordel a Internet foi um marco. O cordel terá que ser visto e pesquisado sob a nova ótica da linguagem virtual. Ainda serão publicados folhetos tradicionais por um bom tempo, só que a tendência será cada vez mais que os novos poetas venham utlizar a Internet, o celular, cd, dvd e novas tecnologias independentes e alternativas midiáticas de divulgação.
Não tem outra saída. Ou usa-se a Internet ou publica-se o texto tradicional a um custo exorbitante e quase proibido para o cidadão comum. A Internet democratiza e quebra a velha estrutura dos cânones acadêmicos, midiáticos e editoriais.

3.Quem é esse novo leitor de Cordel on-line?

GD: O novo leitor é o internauta de diversos níveis. É o estudante, o pesquisador, a dona de casa, o educador e o jovem. Nada impede que um leitor tradicional possa utlizar o cordel na Internet. Recebo mensagens de leitores de todos os níveis que querem saber mais sobre a literatura de cordel. São leitores e interessados de todo o Brasil e muitos do exterior. É mais fácil para eles usarem um site de busca, tipo Google, Yahoo, MSN e fazerem uma busca e encontrar centenas de textos, poemas, cordéis, biografias, xilogravuras. O cordel antigo é mais difícil de encontrar. É mais acessível no Nordeste e em algumas metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, onde é marcante a presença do público nordestino.
Hoje quase todo mundo tem um computador em casa, no escritório, na escola. Quem ainda não tem pode usar em centros comerciais, lanhouses, na casa dos amigos, vizinhos e parentes. Cada vez mais a Internet se propaga e com ela o cordel ganha espaço e torna-se cada vez mais conhecido.

4.O cordel pode ser visto como Jornalismo Popular? por quê?

O cordel nasceu como jornalismo popular na Europa medieval, no início da tipografia e com o advento da imprensa gutenberguiana na Alemanha. Depois ganhou o mundo via França, Itália, Espanha, Portugal, Inglaterra. A poesia de cordel que era oral em Provença-França e em outras localidades, com a editoração e a prensa foi divulgada pelo mundo afora e tornou-se um autêntico veículo do jornalismo popular, principalmente no Nordeste do Brasil. Com a Internet e a forma poética tradicional e as imagens virtuais, o cordel tornou-se um instrumento dinâmico de criação e de divulgação de fatos e eventos cotidianos, além de resgatar textos antigos e históricos. Por esses e outros aspectos o cordel é um autêntico meio de divulgação que tem elementos para conquistar a essência de jornalismo popular. Vamos esperar o tempo passar e ver se com as novas linguagens o cordel se transformará e alcancará cada vez mais o coração do povo. Acredito cada vez mais nessa hipótese.
Cordel para Ulisses Marques Dourado

http://www.planetaliteratura.com/index.php?view=detalhesartigo&codigo=22120

Cordel para Ulisses Marques Dourado

(15/03/1923 a 17/05/2006)


Pai...Amigo Verdadeiro:

A terra soube lavrar

Em Recife dos Cardosos

Fez a semente brotar

Cultivou a esperança:

Para a vida melhorar...



Deu asas à Família:

No vôo do conhecimento

Ulisses Marques Dourado

Navega em meu pensamento

Pássaro do Infinito...

Voa na brisa do vento...



Ulisses foi um exemplo

De fé e honestidade

Seu nome é uma legenda

Nos deixa muita saudade

Foi-se encontrar com Deus

No Reino da Eternidade...


Gustavo Dourado

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Poema recitado durante o sepultamento na Bahia 18/05/2006, às 17h30...
Cordel do Bra$yl S.A

Zidane deu show de bola
Na seleção brasileira
Defuntos de bola murcha
O timinho do Barreira
A França fez um golzinho:
Por causa da pasmaceira...

O Robertinho dormiu
Cafudeu na lateral
Até eu fazia um gol
Nunca vi coisinha igual
Entregaram todo o jogo
Desjogaram muito mal...

O tal do quadrado mágico
Foi desgraça e tragédia
Pela França enquadrado
Virou alvo de comédia
Saudade de Nilton Santos:
Jogador-enciclopédia...

Um time de estrangeiros
Viciados em dinheiro
Marketing e merchandising
Faltou ordem no puleiro
Pseudos-craques da bola:
Raposas no galinheiro...

Faltou garra e vontade
O desânimo foi geral
Múmias a desfilarem
Vampiros do social
Roubaram nossa energia:
Nos fizeram muito mal...

Faltou time, faltou bola
Faltou alma, coração
Parecia o Tabajara
Nossa pobre seleção
O fenômeno marrentinho:
Fez um grande papelão...

Técnico sem estratégia
O asno do treinador
Sem técnica e sem tática
Corrompeu o nosso amor
A burrice sem limites:
Nos trouxe tristeza e dor...

Só se via propaganda
Todos na televisão
Craques da publicidade
Para lá de um bilhão
Timeco de bola murcha:
Sem alma, sem coração...

Saudades de Garrincha
De Pelé e Rivelino
Gérson e Clodoaldo
Dos meus tempos de menino
Jairzinho...Furacão:
Era um time cristalino...

Não esqueço de Tostão:
Brito, Vavá, Amarildo
Didi, Zito e Piazza
Carlos Alberto e Rildo
Jogadores de verdade:
Era um time destemido...

Chega de sangue$$ugas
Do time do men$alão
Vão de todos de ambulância
Se encontrarem com o cão
Lá no time do Inferno:
Vão jogar na $eleção...

Levaram bola na saia
Amarraram a chuteira
Mortos-vivos no gramado
Time sem eira nem beira
Uma vergonha nacional:
Time seca-pimenteira...

Cadê o melhor do mundo?!
Os tubarões do futebol
Os mercenários da bola
Apagaram nosso sol
Apátridas sem compromisso:
Vão parar no urinol...

Acorda, Brasil, desperta:
De sua alienação
A mídia publicitária
Vende a enganação
Fome-analfabetismo:
Bra$il hexacampeão...

Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br

Gustavo Dourado. Poeta e cordelista.Letras(UnB).Pós-graduação em artes, literatura, teatro, gestão e linguagens artísticas.Autor de 9 livros.Premiado na Áustria.Selecionado pela Unesco.Tema de teses de mestrado e doutorado www.gustavodourado.com.br http://cordel.zip.net

Cordel do Armagedom

http://www.planetaliteratura.com/index.php?view=detalhesartigo&codigo=10838

CORDEL DO ARMAGEDOM
*A Guerra do Armagedon:
A Batalha Final do Apocalipse...
Gustavo Dourado

Pra começo de viagem
Preciso me apresentar
Sou poeta do destino
Uma história vou contar
Da Guerra do Armagedon
Que ao mundo vai transformar...

Canto a guerra no repente
Fim dos tempos a chegar
A malícia da serpente
Vem uma besta do ar
Controle do Pensamento:
Homens a escravizar...

A guerra sempre existiu
Da caverna ao avião
O homem sempre brigou
Por uma falsa razão
Destruindo o semelhante
Por prazer e por paixão...

Refaço a visão do Apocalipse
Do profeta São João
A cidade dos remidos
A musa da salvação
O berço da eternidade
A glória da perfeição...

Treme a Terra, geme o Povo.
Em tremenda desventura
Terremoto em toda parte
Aumenta a temperatura
O terror faz a moeda
Nos leva à sepultura...

O tempo me preocupa
É hora de meditar
Virá um grande cometa
Para tudo iluminar
Uma chuva de meteoro
Para nos amedrontar...

Não se fala em Poesia
Só se vê Corrupção
Filhos desrespeitam os pais
Cresce a prostituição
Comanda a Ditadura:
Com tortura e repressão...

O povo a passar fome
A miséria é total
Em toda parte da Terra
A desgraça é geral
O petróleo sobe sempre:
Tudo é mesmo desigual...

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