Entrevista a Jéssica Teixeira

http://www.gustavodourado.com.br/entrevista_jessicateixeira.htm

Entrevista do escritor Gustavo Dourado à jornalista Jéssica Teixeira

01 - O senhor não é de Brasília certo? O que fez com que viesse para cá?
GD - Sou da Bahia, do povoado de Recife dos Cardosos-Ibititá-Região de Irecê-Chapada Diamantina. Já vivo em Brasília há mais de 30 anos. Vim para Brasília por um impulso do destino. Desde menino tive vontade de conhecer Brasília e ficava fascinado com as histórias sobre a moderna cidade e a sua arquitetura. Vim aos 15 anos em busca de novos horizontes e na tentativa de ampliar o meu conhecimento e estudar e pesquisar novos assuntos e conceitos. Creio que foi o destino que me trouxe a Brasília, para ser poeta no Planalto Central do Brasil...
02 - Acha que Brasília sabe valorizar os seus escritores, ou ainda existe uma grande barreira?
GD - Brasília ainda não valoriza os seus escritores. Existem muitas barreiras e preconceitos que precisam ser ultrapassados. A mídia brasiliense é muito voltada para o mecado editorial dominado pela indústria cultural. A maioria dos escritores brasilienses são independentes e alternativos e não contam com quase nenhum apoio para edição, distribuição e divulgação de suas obras. A imprensa local não incentiva os autores da cidade e trata os artistas daqui com desdém e preconceito. Apenas uma meia dúzia de autores, que são amigos dos editores é que conseguem divulgar as suas "obras". Para os amigos, tudo. São atitudes lamentáveis e segregacionistas. É uma espécie de clube e de clientelismo e isso se repete em todos os segmentos artísticos. Há também a influência do poder do dinheiro e do poder acadêmico, político e o apadrinhamento, Exemplo: se eu sou filho, amigo ou parente de um editor de jornal vou ter espaço para divulgar o meu trabalho nos suplementos e cadernos de cultura. Tudo depende de favores e da propaganda. Chamam tudo isso de marketing e merchandising. Dizem que há o famoso jabá, o jabaculê... É o fraterno clube dos amigos do capital...Há muita discriminação com quem não tem livro publicado em uma grande editora...
Brasília não tem editoras e não tem distribuição e divulgação dos autores brasilienses. A Feira do Livro e as livrarias são voltadas para o mercado editorial e marginalizam os escritores que não tem editoras competitivas ou que sejam independentes e alternativos. Tudo funciona como se fosse uma empresa. São as leis do mercado que datam e determinam as regras e os nomes dos escolhidos... Pagou, levou, entrou...É tudo na base do comércio, oportunidade, oferta, procura. O Estado não tem dado apoio às iniciativas dos autores de Brasília. Quando se tem algum apooio é quase imposível ser incluído devido à àrdua burrocracia...
03 - Quando começou o gosto pela leitura?
GD - Desde menino, aos três anos quando fui alfabetizado por meus familiares. Tudo começou com uma forte cultural oral, seguida pela leitura de folhetos de cordel e da Bíblia. Lia de tudo. Depois passei para os almanaques, catecismos, revistas, jornais, bulas de remédio. Tudo o que via eu queria ler. Li dicionários e enciclopédias, os clássicos, a poesia, os romances...
Sempre fui um grande leitor desde menino. Sempre apreciei o cinema e todos os tipos de arte, invenções e criatividade...
04 - Defina Gustavo Dourado, o escritor
GD - Deixo essa definição para os leitores e para os meus críticos. Quem quiser pode dar uma olhada no que dizem em: www.gustavodourado.com.br/fortunacritica.htm
Sou um eterno aprendiz...
Segue uma apreciação do livro Phalábora: "Sob o signo da invenção, o baiano oriundo de família tradicional de Ibititá (região de Irecê), Chapada Diamantina, mas residente em Brasília, Gustavo Dourado, de pseudônimo Amargedom, propõe-se a reinventar e, com tal intenção, envereda sua poesia pelos campos da ecologia, da informática, da política, da economia, do cinema, das artes gráficas, da semiótica, da crítica e da sátira, da ironia, da denúncia, da literatura de cordel, de muito mais e de tudo enfim procurando abrir brechas na vastidão de possibilidades que lhe oferecem as palavras e uma prole numerosa de signos icônicos e indiciais.
Trata-se de um criador multimídia, a movimentar um poderoso arsenal de recursos poéticos e transpoéticos, de inesgotável utilização dentro de sua determinação em desvendar os segredos do mundo e denunciar suas mazelas, fazer apologias e proferir julgamentos, inventando linguagens e postando-se em estado permanente de criar. Não recua diante da necessidade de criação de novas palavras, por fusão, aglutinação ou justaposição, nem diante do caos em que porventura essa fertilidade resulte. Quanto a isto, a terra é fecunda, por vezes apocalíptica. Glauberrando, cinemagia, Rimbaudelaire, fonemastigando, termos colhidos a esmo, são apenas alguns exemplos, de que o verbo volpintar, usando o sobrenome do pintor italiano-paulista, impressionou o crítico de arte Olívio Tavares de Araújo.Poundiano, concreto, expressionista, pop, rótulos por certo não faltarão para pregar na testa de Amargedom, em quem Darci Ribeiro viu "o faro, o ritmo, a vibração, a energia e a criatividade dos grandes poetas", e Affonso Romano de Sant'Anna, uma poesia a estilhaçar "ironias em granadas a granel, infinita e iluminada". Moacyr Scliar o qualificou como "expressão maior da cultura brasiliense".- COMISSÃO EDITORIAL SELO LETRAS DA BAHIA
05 - Achou difícil entrar nesse mundo da literatura?
GD - É muito difícil. Tem que ter muito esforço, muita leitura, pesquisa. Além da inspiiração é preciso suar a camisa e transpirar muito...É uma pedreira...
É preciso muita força de vontade, sorte, empenho e entusiasmo...
06 - Porque o pseudônimo Armagedon?
GD – Armagedon...Amargedom... É um pseudônimo que uso desde os 15 anos, que recebi e adotei logo que cheguei a Brasília, São inspirações bíblicas, em especial do Apocalipse 16:16 de São João...
Sobre o assunto escrevi o Cordel do Apocalipse www.triplov.com/poesia/gustavo_dourado/2006/apocalipse.html

e o Cordel do Armagedom www.gustavodourado.com.br/cordel/Cordel%20do%20Armagedom(7-7-1977).htm
07 - Professor, Jornalista, Escritor, Cordelista...Em qual dessas profissões se sente mais realizado?
GD – Ainda não me sinto realizado. As quatro funções se fundem e se dialogam sempre. São áreas que estão interligadas e se comunicam diariamente...
O professor precisa ter um maior reconhecimento e melhoria salarial... O jornalista se realiza na Internet. Quase não tem espaço na mídia. Como escritor e cordelista consigo uma maior satisfação com o contato com os leitores, o que se dá principalemente via Internet por meio do meu site Gustavo Dourado www.gustavodourado.com.br e pelo meu blog http://cordel.zip.net
Há ainda a presença do pesquisador que está em constante atividade...
08 - Além do cordel e do estudo do folclore, quais os outros campos em que o senhor atua, ou pretende atuar?
GD – Atuo muito como cordel a a cultura popular. Pesquiso a memória de Brasília e a memória da educação http://www.se.df.gov.br/institucional/historico.asp Preciso de mais apoio e incentivo para desenvolver as minhas pesquisas. Pretendo desenvolver o meu lado roteirista e romancista...
09 - De onde veio esse interesse pelo cordel?
GD - Vem do berço, da alma. De minha infância e da minha verve baiana, sertaneja e nordestina que aqui em Brasília recebeu a inspiração de outras vertentes culturais. Sobre o cordel escrevi um artigo que retrata o tema depois de ampla pesquisa: http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=2608
10 - De todas as suas obras, existe alguma que pode ser considerada a 'queridinha'?
GD - Gosto de todas e em especial dessas duas:
Phalábora: http://www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm
Cordel: http://www.gustavodourado.com.br/cordel.htm
11 - Em outubro desse ano, o senhor participou de uma palestra sobre Cordel e Cinema, juntamente com seu filho, Gustavo Fontele Dourado, qual a sensação de ter o filho interessado nas mesmas coisas?
GD - É uma sensação muito boa. Fico feliz por ver o meu filho interessado em cinema, arte, poesia e literatura...Todos os meus filhos são estudiosos e pesquisadores. O Elias, o Yon, todos eles...Espero que continuem sempre assim...
12 - Para finalizar, o que gostaria de deixar como mensagem para aqueles que pretendem se tornar escritores um dia?
GD - Não desistam nunca. Estudem, Pesquisem e leiam muito. Leiam os clássicos. Escreva bastante, Corte. Recorte. Selecione. Depure. Conviva com as pessoas. Observe. Viva a vida... Veja bons filmes. Trabalhe. Viaje...Dedique-se ao máximo. Experiencie. Vá à luta e não dê muita importância aos críticos negativistas...Ame.

A demissão do Gerúndio(por decreto)
A demissão do Gerúndio(por decreto)



A demissão do Gerúndio:

Deu polêmica oficial...

Endorréia, gerundismo:

É uma praga cultural...

Infesta a Língua Portuguesa:

E o nosso tempo verbal...



O governo em Brasília::

No Diário Oficial...

Demitiu o tal Gerúndio:

No Distrito Federal...

Mas o sujeito é teimoso:

E não some do jornal...



O fato ganhou a mídia:

A imprensa noticiou...

É uma piada da boa:

O mundo se gerundiou...

Dólar e telemerchandising:

No gerúndio se enroscou...



É um vício de linguagem:

Em qualquer repartição...

No discurso, no artigo:

Em concurso e redação...

Na escola e na rua:

Na favela e na mansão...



Gerúndio na boca do povo:

Chacota já se tornou...

Blá.Blá.Blá...Nhemnhemnhem:

O fato se proliferou...

Virou piada no Céu:

São Pedro me telefonou...



É gerúndio no Planalto:

No Congresso Nacional...

No telefone e na tela:

O gerundismo é total...

O gerúndio se abunda:

É preferência nacional...



Tem gerúndio na tv:

No jornal e na novela...

A modelo gerundia:

Gerundando-se magrela...

Ouve-se tanto gerúndio:

A alma da gente, gela...



Terá fim o gerundismo?!

Com tanta ignorância...

Teleanalfabetismo:

Leitura sem importância...

O Português não tem vez:

Norma Culta, que distância...



Fazer e estar fazendo:

Estar amando e amar...

Ligar e estar ligando:

Informando e informar...

Gerúndio e Infinitivo:

Cada qual tem seu lugar...

>

Negociando - providenciando:

Ouve-se no dia-a-dia...

Expressões inadequadas:

Palavras sem sintonia...

Culto à ineficiência:

É voz da burrocracia...



Ligando nós estaremos:

Documento prescrevendo...

Todo mundo enrolando:

Gerundismo pervertendo...

A máquina não funciona:

É o gerúndio corrompendo...



É uma praga virulenta:

Haja contaminação...

Vem da Língua Inglesa:

Em erro de tradução...

Telemarketing e Intermídia:

Fazem a divulgação...



Um basta ao gerundismo:

Ao infinitivo vou voar...

Tenho verbo, falta verba:

Para poder participar...

Estou "rezando" demais:

Para a vida melhorar...




Gustavo Dourado. Poeta e cordelista.Letras(UnB).
Pós-graduação em artes, literatura, teatro, gestão e linguagens artísticas.
Autor de 11 livros.Premiado na Áustria.Selecionado pela Unesco.
Tema de teses de mestrado e doutorado.
www.gustavodourado.com.br http://cordel.zip.net


EXPOSIÇÃO PRÁTICA, PRECISA E POÉTICA,
DA PRÁTICA DA NOSSA LINGUA PORTUGUESA.
NOVAMENTE COM BELO TEMPO, EM TEXTO QUE ME É SUCESSO!

Miguel Eduardo Gonçalves


APLAUDO-TE, AMIGO POETA!!!
SEMPRE MARAVILHOSO VOCÊ!!!
Meu beijo no seu coração!!!

Iza Klipel


AMEI! Texto crítico, politizado
e LINDÉRRIMO! PARABÉNS!!!
Saudações poéticas, Gustavo!

Tânia Regina de Oliveira Voigt


Gustavo, meus aplausos e respeito.
Um encanto!
Parabéns!
Bjs!
Claudete  Silveira


Tânia Mara Camargo - 2007-10-04 09:42:13
Gustavo adoro teus cordéis, coisa rara aqui no planeta, não fique
tanto tempo sem publicar, podem não chover comentários, mas meu caro
teu
trabalho é riquissímo em conteúdo. Tua admiradora
de sempre. Beijos!

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Foto no Correio Braziliense - Brasília, segunda-feira, 03 de dezembro de 2007
Foto: Aureliza           Maria Félix, Gustavo Dourado e Stella Rodopoulos
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