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Gustavo Dourado

Blog do poeta e cordelista Gustavo Dourado

Gustavo Dourado é selecionado pela Unesco.

Julho 29, 2006 by gustavodourado
Phalábora de Gustavo Dourado é selecionado pela Unesco.
www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm
UNESCO Libraries Portal
Poemas e cordéis de Gustavo Dourado:
Breve fortuna crítica e opinião de leitores.
Título: Phalábora
Autor: Gustavo Dourado
Sob o signo da invenção, o baiano oriundo de Ibititá (região de Irecê), Chapada Diamantina, mas residente  em Brasília, Gustavo Dourado, de pseudônimo Amargedom, propõe-se a reinventar e, com tal intenção, envereda sua poesia pelos campos da ecologia, da informática, da política, da economia, do cinema, das artes gráficas, da semiótica, da crítica e da sátira, da ironia, da denúncia, da literatura de cordel, de muito mais e de tudo enfim procurando abrir brechas na vastidão de possibilidades que lhe oferecem as palavras e uma prole numerosa de signos icônicos e indiciais.
Trata-se de um criador multimídia, a movimentar um poderoso arsenal de recursos poéticos e transpoéticos, de inesgotável utilização dentro de sua determinação em desvendar os segredos do mundo e denunciar suas mazelas, fazer apologias e proferir julgamentos, inventando linguagens e postando-se em estado permanente de criar. Não recua diante da necessidade de criação de novas palavras, por fusão, aglutinação ou justaposição, nem diante do caos em que porventura essa fertilidade resulte.
Quanto a isto, a terra é fecunda, por vezes apocalíptica. Glauberrando, cinemagia, Rimbaudelaire, fonemastigando, termos colhidos a esmo, são apenas alguns exemplos, de que o verbo volpintar, usando o sobrenome do pintor italiano-paulista, impressionou o crítico de arte Olívio Tavares de Araújo.Poundiano, concreto, expressionista, pop, rótulos por certo não faltarão para pregar na testa de Amargedom, em quem Darci Ribeiro viu “o faro, o ritmo, a vibração, a energia e a criatividade dos grandes poetas”, e Affonso Romano de Sant’Anna, uma poesia a estilhaçar “ironias em granadas a granel, infinita e iluminada”. Moacyr Scliar o qualificou como “expressão maior da cultura brasiliense”.
A arte de reinventar
Phalábora é a síntese da poesia de Gustavo Dourado, poeta da reinvenção e da magia. Seu universo pujante e criativo é desvendado página a página, com palavras que jorram sons e cores, matéria prima da imaginação.
Conhecedor profundo de nossa língua e de obras dos imortais Guimarães Rosa, Mário Faustino, Euclides da Cunha, Castro Alves, dos repentistas Cuíca de Santo Amaro, Zé de Duquinha, Cego Aderaldo e Zé Limeira, sem falar nos modernistas, faz uma junção básica do popular, do erudito e do concreto.
Ao inspirar-se, costuma beber em fontes glauberianas e torquatianas. Não é à toa que dedica dois poemas a Glauber Rocha e um belíssimo cordel a Torquato Neto. Sua magia vem também de leituras de Jorge Amado, James Joyce e de Baudelaire. Assim, o poeta lança um olhar sobre o futuro, transcendendo, com sua obra, os muros do lugar comum. E o resultado não poderia ser outro: versos que primam pela inventividade, versatilidade e ineditismo.
Em “Guimã-Rosa”, por exemplo, faz uma exaltação à língua portuguesa e aos inventores da linguagem quando diz: “Língua! Por(tu)guesa errante, lusídica rosa personalizada/experimentalizo la langue nas ancas filológicas do verso…Guimã-Rosa do povo/Cobra, Cabral Macunaíma”.
Suas palavras brotam cores devido a forte influência das artes visuais. Fez, inclusive, parcerias com os artistas Toninho de Souza, Zé Nobre, Sabino Costa, Delei, Edgar Santana, Jorge Braga, Regina Ramalho e alunos-pacientes do Sarah.
Contrário às profecias do caos, rebate essas idéias de forma peculiar com “homonovo” e ponteia: “O novo homem surgirá dionisíaco/poético-sensual/consciente rítmico/homem performático, bailarino sideral/surfista alquímico da palavra.” Mas é cruel quando fala de nossas instituições políticas, uma herança da geração panfletária e engajada e deixa escapar a constatação: “O Brasil quem U.$.A sou E.E.U.U.”.
Maria Félix Fontele. Jornalista, Editora e Escritora.
Editora do Jornal das Boas Novas (JBN).
“Phalábora, Gustavo DouradoÉ possível transitar em um mesmo livro pelos meandros do manifesto social, por homenagens póstumas com bela carga de saudosismo e, principalmente, por graciosos jogos de palavras com sentido puramente reflexivo?

O poeta baiano Gustavo Dourado provou que sim. É possível reunir todos esses elementos e algo mais. Em seu livro de poesias Phalábora – note que as brincadeiras com as palavras começam no título da obra – Dourado despeja, com a autoridade de um poeta reconhecido nacionalmente, todas as suas idéias e “viagens” por temas e episódios. Revela também sua extensa gama de influências, rompendo mais tabus. Seus mestres percorrem uma escala improvável, estendendo-se pelo erudito e popular. É notável a influência de Carlos Drummond de Andrade, da mesma forma que também identificamos traços de Patativa do Assaré, famoso cordelista cearense. Há até mesmo elementos do concretismo de Haroldo de Campos.

Outro elemento decisivo em seus escritos é a visão critica inteligente e cheia de sensibilidade. Versos que misturam o nacionalismo da primeira fase do romantismo com a inclusão de estrangeirismos do tropicalismo e manifestos do modernismo marginal de Lima Barreto. No livro Phalábora, é possível encontrar várias poesias com belas doses de crítica a globalização e a política externa norte-americana.

O jogo de palavras muito bem utilizado nos remete a trocadilhos e versos assustadoramente interessantes. Não à toa o célebre dicionarista e ex-Ministro da Cultura do Brasil, Antônio Houaiss, chamou Gustavo Dourado de “bruxo das palavras”. Tais poesias sociais seguramente são frutos da influência sofrida por Gustavo Dourado, nos seus tempos de estudante universitário na UnB, em Brasília, onde estudou letras. Na época, foi um ativo membro do movimento estudantil, participando de diretórios em diversos níveis e chegando a ser delegado da União Nacional dos Estudantes, a UNE.

No livro Phalábora, também há espaço para poesias com forte teor mitológico e lendário. Talvez, também fruto da cultura popular sertaneja absolvida por Dourado em seu período de vivência no Nordeste Brasileiro. É exemplo o poema nativista Sinfonia do Verde”. (30/03/2007)
Tiago Zaidan,
http://autoria.net/

“Em Phalábora, escritura de uma consciência sintonizada com o cosmos, Amargedom homenageia a criação, os criadores, as criaturas.
Original na construção de sua gramática poética, retira da palavra, desde a coloquial à erudita, a carga poética do som que traduz imagem. As palavras se partem, se colam, se justapõem, se penetram e vão armando seu jogo. Nisso, ele alcança a poesia enxuta, essencial, de impacto. Então o artefato poético se tece sobre novos signos, novos sons, novos sentidos e o artesão da palavra vai desvendando o sabor de “ser sábio, ser sóbrio, na dança do saber”.
A grandeza da poesia desse “surfista alquímico da palavra” atesta-se pelo compromisso com o fazer poético, através da criação de uma linguagem nova e vibrante, e pelo engajamento com o ser humano e com o contexto sócio-histórico”.

Gislene Barral, professora e mestra em Literatura Brasileira pela UnB. 2001
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“A obra de Amargedom (Gustavo Dourado) fornece material excelente para avaliar os caminhos e descaminhos da poesia brasileira.
A fratura do signo a que Amargedom submete a língua portuguesa, encontra seu sentir-pensar na tradição modernista e vanguardista, esta sendo compreendida em termos de seu contexto e totalidade e não na pulverização das estéticas periféricas.
Amargedom! Seu destino é caminhar entre os verdadeiros achados poéticos, em que as palavras se intercruzam… Caminhar por entre as diferenças, captá-las e apreendê-las na expressividade da linguagem, na metáfora explêndida para que se renove o fluxo criativo do idioma.
Amargedom atinge um espaço discursivo privilegiado por meio do qual as virtualidades do idioma são concretizadas.
Amargedom incorpora o vanguardismo autotélico ao mesmo tempo que abre-se para a comunicação via influência e espontaneidade e oralidade do Cordel.
O sucesso do poeta Amargedom é conciliar a reflexão acerca dos mecanismos expressivos da linguagem ao mesmo tempo que não extingue o pensamento arquetípico, mítico, simbólico, com sentido problemático da existência, em meio às suas opções ontológicas.
O destino de Amargedom é de ultrapassagem, um caminho para a expressividade que ele consegue concretizar em verso”.

Marcos Mota, crítico literário e professor da UnB. 06/09/1992
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