Cordel para Augusto dos Anjos

Cordel para Augusto dos Anjos

Gustavo Dourado

 

 

 

Augusto dos Anjos brilha
No concerto universal
Poeta cientificista
De luz infinitesimal
Cosmogônico-biológico
Místico e transcendental...

 

No Estado da Paraíba
O vate Augusto nasceu
No dia 20 de abril...
O fato assim decorreu ...
No engenho Pau-D`arco:
Sua mãe o concebeu...

 

Alexandre dos Anjos: pai
A mãe Córdula Carvalho...
Os genitores do Poeta
Deram a carta do baralho
Trouxeram ao mundo, Augusto
Um Poeta sem retalho...

 

Na Vila do Espírito Santo
Augusto foi batizado...
A 27 de fevereiro
Deu-se o fato aqui narrado
Em 1885:
Fica assim historiado...

 

Quarto de nove irmãos
Augusto foi destacado
Sempre leu desde menino...
À leitura, sempre dado...
Na biblioteca do pai:
Era um leitor aplicado...

 

No Liceu Paraibano...
Estudou Humanidade
Ano 1900...
Dá asas à liberdade
Sente o cheiro da poesia
No calor da mocidade...

 

No Almanaque da Paraíba
Primeiro soneto publicado
Foi aos 16 anos...
O fato foi registrado...
Dava-se o início
De um vate inusitado...

 

 

Seu amigo Órris Soares
Em sua vida foi presente
Companheiro nos estudos
Plantaram a boa semente
Amigos inseparáveis:
Em um mundo incongruente...

 

O poeta sofreu muito
Um romance interrompido
Seu filho foi abortado
Foi -se um amor perdido
A mãe persegue a amante:
Uma morte sem sentido...

 

A cidade da Paraíba
Era capital do Estado
A futura João Pessoa
Deu-lhe verso inspirado
Colaborou em O Comércio
Como poeta e letrado...

 

Ano 1903
Entra para a Faculdade
Faz Direito no Recife
Vence a adversidade
Cultiva o conhecimento
Cresce em multiplicidade...


Em 1907...
Em Direito é bacharelado...
Na Faculdade do Recife
Junto com Gilberto Amado
Na turma de Órris Soares
Sempre amigo ao seu lado...

 

1907/1908
Dá aula particular...
Torna-se o seu ganha-pão:
E muito precisa lutar
A sobrevivência é difícil:
Nesse mundo de lascar...


Do Liceu Paraibano
É nomeado professor
Na área de Literatura
Um grande conhecedor...
Foi um mestre de renome :
De destacado valor...

 

Pronuncia conferência
Sobre a escravidão
No dia 13 de maio
Data da libertação...
 De mancha da humanidade:
A triste escravização...

 

 

Ano 1909...
A conferência se deu
Ante o Governador do Estado
A palestra ocorreu...
O Poeta mostra a face
Do horror que aconteceu...

 

Em 1910...
Dá-se o seu casamento
Com a sua conterrânea
(Expressão do sentimento):
De nome Ester Fialho:
É o amor em movimento...

 

Abandona a Paraíba:
Briga com o Governador
Vai pro Rio de Janeiro
Como eterno buscador
Lá reside por 2 anos:
Atua como professor...

 

Na Capital do País
Passa por dificuldade
Mora na Avenida Central
Da grandiosa Cidade
Reside em vários lugares:
Tempo de adversidade...

 

Em 1911
Perde o filho primeiro
Morre setemesino
Foi-lhe um tiro certeiro
A dor do poeta é grande
Sente abalo por inteiro...

 

Para a Escola Normal:
Foi nomeado professor
No Colégio Pedro II
Atua como educador
Substitui a João Coelho:
Leciona com amor...

 

Em 1912
O livro Eu é lançado
Em edição particular
Por Odilon é ajudado
Que é irmão de Augusto
E o tem patrocinado...

 

No mesmo ano do livro
A filha tem nascimento...
O Poeta segue em frente
Em constante movimento
Luta pra sobreviver:
Apesar do sofrimento...

 

Em 1913:
De Guilherme, o nascimento
Novo filho do Poeta:
Mexe com seu sentimento...
Augusto Poeta Maior:
Foi um ás no pensamento...

 

Vai para Minas Gerais
Nomeado Diretor
Cidade de Leopoldina
Um Poeta Professor...
É o princípio do fim
De um grande pensador...

 

Chega em Leopoldina
Pra dirigir grupo escolar
Escola Ribeiro Junqueira
Pouco tempo a comandar
Ano 1914...
A gripe o irá matar...

 

Acometido da gripe
Vem uma pneumonia...
Nosso poeta a sofrer
Não consegue harmonia
No dia 12 de novembro:
Vai pra outra sintonia...

 

Morre o Poeta Maior:
Pobre e desconhecido
Um gigante na Poesia
Em pouco tempo vivido
Um dos melhores poetas
Que eu tenho sempre lido...

 

Poeta incomensurável
Transmutador da linguagem
Um gênio da Poesia...
Que deixou forte mensagem:
Apocalíptica: monumental:
Cultivemos sua imagem...

 

 

Gustavo Dourado

www.gustavodourado.com.br

 

Gustavo Dourado é poeta, escritor, cordelista, pesquisador, jornalista. Colunista de Cronópios.

Autor de 12 livros e centenas de cordéis. Premiado na Áustria e na França. Selecionado pela Unesco.

Mantêm o site www.gustavodourado.com.br e o blog http://www.dzai.com.br/gustavodourado/blog/gustavodourado

Antologia poética na Web: www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm E-mail: gustavodourado@gmail.com